domingo, 4 de abril de 2010

Construindo Mapas

Uma das primeiras coisas em que pensamos na hora de viajar é num bom mapa da região a ser visitada ou das estradas que vamos percorrer. Em nosso dia-a-dia na cidade também usamos mapas e guias para encontrar ruas e bairros.
Os mapas nos auxiliam a localizar qualquer porção da superfície da Terra, facilitando a nossa orientação no espaço geográfico.
O conhecimento das coordenadas geográficas e dos pontos cardeais é indispensável para a elaboração dos mapas, que são representações planas da superfície terrestre.
Este é o maior problema da cartografia: representar uma superfície esférica em um plano. Como a esfera não é planificável, a representação nunca será perfeita. Teremos sempre algu¬mas deformações, seja em relação às distâncias entre os continentes, seja em relação às áreas de países e oceanos.
Na verdade, a melhor maneira de representar a Terra é o globo terrestre, por causa de sua forma esférica. Porém os mapas são muito mais fáceis de manusear e têm a vantagem de repre¬sentar áreas pequenas com detalhes.
As projeções permitem representar uma superfície esférica (a Terra) em uma superfície plana (o mapa) com menores distorções do que aquelas provocadas com o simples achata¬mento da esfera.

Projeções cartográficas

A rede de paralelos e meridianos sobre a qual desenhamos um mapa constitui o que chamamos de projeção cartográfica. Sua aplicação envolve concei¬tos matemáticos e geométricos.
Mesmo possibilitando uma representação mais precisa c mais organizada da superfície terres¬tre, o uso das projeções pode causar distorções. Cabe ao cartógrafo decidir qual é o tipo de projeção roais apropriado para o mapa que vai construir.
Os principais tipos de projeção mantêm os as¬pectos mais importantes para a elaboração de um mapa, que são a distância, a forma e os ângulos. Ne¬nhuma projeção consegue manter esses três ele¬mentos ao mesmo tempo. Dessa forma, podemos considerar projeções:
- Equidistantes. Mantêm as distâncias lineares (distâncias a partir de um centro determinado), mas apresentam distorções nas áreas e nas formas terrestres.
- Conformes. Procuram manter os mesmos ângulos das coordenadas geográficas. Conservam, assim, as formas terrestres, mas apresentam distorções nas áreas representadas. A escala usada para repre¬sentar as distâncias varia, Usa-se a escala real ape¬nas nas áreas próximas do Equador. À medida que se afasta da região equatorial, a distorção é maior.
- Equivalentes. Apresentam formas distorcidas, mas as áreas mantêm o mesmo valor da área real. Os ângulos do planisfério ficam deformados em relação aos ângulos da esfera terrestre.
Os três tipos de projeção (equidistante, con¬forme e equivalente) são elaborados a partir de três métodos originais: projeções cilíndricas, projeções cônicas e projeções azimutais (planas).

Projeções cilíndricas

Nesse tipo de projeção, muito usado para re¬presentar planisférios, os paralelos e meridianos são projetados sobre um cilindro, que é plani¬ficado posteriormen¬te. Os paralelos retos e horizontais, e os me¬ridianos, retos e verti¬cais, formam ângulos retos.
Seu principal inconveniente é apre¬sentar deformações nas áreas de altas lati¬tudes. Porém, conser¬va as proporções das superfícies próximas ao Equador. Com ela, pode-se representar toda a Terra.

Projeções cônicas

Nos mapas com projeção cônica, o globo ter¬restre (ou parte dele) é projetado em um cone tan¬gente, que depois é planificado. As projeções côni¬cas são usadas principalmente para representar regiões de latitudes médias. Apresentam maiores deformações na base e no vértice do cone, por isso representam regiões menores.
Nesse tipo de projeção, os meridianos são ra¬diais porque surgem de um mesmo ponto, e os para¬lelos são círculos concêntricos, isto é, têm o mesmo centro.

Projeções azimutais

Também chamadas de projeções planas, as projeções azimutais são elaboradas a partir de um plano tangente sobre a esfera terrestre.

Meridianos e paralelos são projetados sobre um plano apoiado em um ponto que geralmente es¬tá no Equador ou nos pólos, mas encontramos pro-jeções azimutais centradas em outros pontos da Terra. Por isso, podemos considerar três modali¬dades de projeções azimutais: oblíqua, polar e equatorial,
O ponto de tangência torna-se o centro do ma¬pa construído dessa maneira. Geralmente esse cen¬tro apresenta pequenas deformações que se acen¬tuam à medida que dele nos afastamos.
Na projeção azimutal polar (centrada no pólo), a área representada mostra só um hemisfério. Os meridianos são convergentes no centro e os parale¬los são concêntricos.
A projeção azimutal polar está no emblema ofi¬cial da Organização das Nações Unidas (ONU). Pode-se usar esse tipo de projeção quando se quer colocar um país na posição central ou para calcular a distância entre esse país e qualquer lugar na super¬fície da Terra. Por esse motivo, a navegação marítima e a aviação também usam a projeção azimutal.

Projeções mais usadas em cartografia

Projeção de Mercator

Quase sempre o mapa-múndi, ou planisfério, que encontramos em atlas e livros.
No século XVI, o geógrafo flamengo Gerhard Kremer, conhecido como Mercator, idealizou e construiu esse tipo de projeção cilíndrica, muito usado na navegação porque permite traçar rotas em linha reta.
A projeção de Mercator é conforme, pois não deforma os ângulos. Porém as áreas do hemisfério norte, principalmente a Europa, ficam muito amas. Isso reflete a hegemonia econômica e política.exercida pêlos europeus na época. Na verdade, ca¬da tipo de projeção revela as idéias de quem o criou, expressando, assim, a sua visão de mundo.

Projeção de Peters

A projeção criada em 1973 pelo historiador alemão Arno Peters procura representar mais fiel¬mente as áreas dos oceanos e continentes. A proje¬ção de Peters é cilíndrica e equivalente. Essa repre¬sentação significou muito para a auto-estima dos países subdesenvolvidos, que ganharam mais desta¬que. Porém, para conseguir a equivalência, foi pre¬ciso sacrificar as formas. África e América do Sul estão estranhamente alongadas nos mapas feitos nessa projeção.

CARTOGRAFIA, A ARTE OU CIÊNCIA DE FAZER MAPAS

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a "arte (ou ciência} de levantamen¬to, construção e edição de mapas e cartas de qualquer natureza" recebe a denominação de cartografia.
A elaboração de mapas começou na Antigui¬dade. O mapa mais antigo do mundo foi encontrado na Mesopotâmia, onde é hoje o Iraque, de Saddam Hussein.
Anaximandro (610 a.C-547 a.C.}, discípulo de Tales de Mileto, é considerado o primeiro cartógrafo. Em seu mapa, a Terra estava solta no espaço e não havia referência à sua forma.
A partir do século XVI, época das Grandes Na¬vegações, mapas traçados com maior precisão pas¬saram a desvendar caminhos para os exploradores europeus, pois representavam o mundo de uma ma¬neira mais próxima do real.
O avanço tecnológico permitiu um grande progresso e muita precisão na elaboração de mapas. As técnicas usadas antigamente foram acrescen¬tadas várias outras, como o uso de aviões para to¬madas fotográficas aéreas, imagens de satélites artificiais e computadores. A partir do processamento e da análise dessas imagens, é possível elaborar vários tipos de mapas. Hoje, podemos obter imagens tridi¬mensionais da superfície da Terra. Daí os mapas estarem cada vez mais precisos.
Entre os inúmeros recursos utilizados pela cartografia, destacaremos; a aerofotogrametria, o sensoríamento remoto e o geoprocessamento (GIS -Geographical Information System ou, traduzindo para o português, SIG - Sistema de Informação Geográfica).
Apesar de todas essas facilidades, não pode¬mos nos esquecer de que, para ter sucesso, é preciso complementar o trabalho com dados obtidos em uma eficiente pesquisa de campo no local cartografado.

Aerofotogrametría

E a elaboração de cartas com base em/oíogra-fias aéreas, com'a utilização de aparelhos e métodos estereoscópicos, que permitem a representação de objetos em um plano e sua visão em três dimensões.
Alguns detalhes são essenciais para a interpre¬tação de uma fotografia aérea: o tamanho e a forma da área estudada, a tonalidade e as sombras exis¬tentes na foto, entre outros.
A escala de uma fotografia aérea vai depender de sua finalidade. Normalmente, em trabalhos sobre áreas urbanas, usa-se a escala 1:8 000; para áreas ru¬rais, 1:30 000. É possível ampliar a fotografia aérea em até cinco vezes a escala original.
As fotos aéreas também são usadas para deter¬minar curvas de nível nos levantamentos cartográficos por pares de fotografias. (Ver capítulo 10.)
Nos mosaicos cartográficos, que são montagens de fotografias aéreas, pode-se ter a visão geral da área que está sendo estudada.
Existem também as ortofotocartas, que são imagens fotográficas aéreas, com escala precisa, em que podem estar representadas curvas de nível, ruas, limites, etc.

Sensoriamento remoto

Nem sempre os objetos podem ser medidos e observados no local onde estão. No caso da superfí¬cie terrestre, o afastamento é um fator que possibili¬ta uma visão mais ampla e mais completa.
As técnicas de sensoriamento remoto caracte¬rizam-se pela separação física entre o sensor (câmara fotográfica ou satélite artificial) e o objeto de estudo, que está na superfície terrestre. Através de imagens obtidas por satélites artificiais, obtém-se uma me¬lhor representação da superfície terrestre. Podemos chamar de sensoriamento remoto o conjunto de técnicas que permitem obter infor¬mações sobre a superfície terrestre através de sen¬sores instalados em satélites artificiais. As informações captadas pelo sensoriamento remoto podem ser processadas digitalmente por modernos equipamentos e resultam em imagens bastante precisas, embora com escala limitada pela capacidade do sensor utilizado.
Os primeiros satélites começaram a ser usados, com esse fim, na década de 1970, como o Landsat l, lançado em 1972 pela NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration).
Essas imagens podem ser usadas para levanta¬mento do meio ambiente, agricultura, estudos flores¬tais, cartografia, geologia, geomorfologia, recursos hí¬dricos, planejamento municipal e regional, etc,
Geoprocessamento
É o conjunto de tecnologias que permite a co-leta e a análise de informações sobre determinado tema. Essas tarefas são executadas pelo sistema GIS (Geographical Information System).
Além de ser um sistema de processamento de dados, o GIS permite a superposição e o cruzamen¬to de informações. Sua principal característica é in¬tegrar, em uma única base, informações diversas (imagens, dados cartográficos, dados de censo, etc.), de forma que seja possível consultar, comparar e analisar essas informações, além de produzir mapas.
O GIS pode ser aplicado a qualquer tema que envolva informações de um determinado lugar, cujos elementos possam ser representados no espaço. Não basta apenas ler as informações. É preciso analisar e cruzar os dados para obter a melhor res¬posta para o que está sendo estudado. Podemos tomar como exemplo a necessidade de encontrar uma forma de diminuir uma frota de entrega de pro¬dutos. Para isso é preciso considerar e analisar várias informações: distâncias a percorrer, zonas de con¬gestionamento, quantidade de mercadoria entregue em cada ponto, entre outras.
O sistema GIS pode fornecer a solução. A re¬presentação cartográfica apresentada será resultado da utilização do sensoriamento aliado ao sistema GIS. O uso integrado desses dois sistemas pode levar a uma melhor interpretação do tema estudado.

4 comentários:

  1. Me ajudou muito em meu trabalho de geografia, exatamente sobre meios de orientação. Muito Obrigada.

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  2. Valeu me ajudou muito no meu trabalho de geografia

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