domingo, 4 de abril de 2010

Coordenadas Geográficas

O GPS
O GPS é um sistema de localização que fornece as coordenadas geográficas e a altitude de um lugar a partir de sinais captados por satélites artificiais que giram em torno da Terra.
Esse é apenas um dos recursos que utilizam as coordenadas geográficas para a localização no espaço. Qualquer ponto da superfície terrestre pode ser localizado com exatidão com o auxílio das coordenadas.
Para isso, traçamos um conjunto de linhas imaginárias sobre mapas e globos que representam a Terra. Essas linhas, chamadas paralelos e meridianos, se cruzam formando um sistema de coordenadas geográficas. Determinando o ponto onde se cruzam o paralelo e o meridiano que passam por um lugar, podemos localizá-lo com facilidade.

Paralelos

O principal paralelo é o Equador, que divide a Terra em duas partes iguais: hemisfério norte ou setentrional e hemisfério sul ou meridional.
A partir da linha do Equador, traçada a igual distância dos pólos, traçamos os demais paralelos. Po¬demos traçar 90 paralelos no he¬misfério norte e 90 no hemisfério sul. Eles são indicados por graus de circunferência, sendo o Equador o paralelo inicial, de 0°.
Paralelos são círculos Imagi¬nários traçados paralelamente ao Equador.
Além do Equador, outros qua¬tro paralelos recebem nomes espe¬ciais; dois trópicos e dois círculos polares. No hemisfério norte, temos o círculo polar Ártico e o trópico de Câncer. No hemisfério sul, o trópico de Capricórnio e o círculo polar Antártico.
Os paralelos indicam a latitude de um lugar. Todos os lugares situados ao norte do Equador têm latitude norte (LN). Os locais que ficam ao sul dessa linha têm latitude sul (LS),
Como a Terra é representada por uma esfera, a circunferência do Equador é dividida em graus. Por isso, a latitude é medida em graus.
Latitude é a distância, medida em graus, de qual¬quer lugar da superfície terrestre ao Equador
O Equador tem 0° de latitude e é o ponto de par¬tida para calcular a latitude de um lugar. A latitude máxima é a dos pólos, que corresponde a 90° (N ou S).
Todos os pontos que se encontram ao longo de um mesmo paralelo têm a mesma latitude, isto é, es¬tão a igual distância do Equador.

Meridianos

Apenas com a latitude não é possível determinar a localização exata de um ponto na superfície terrestre. Por isso, foram criados os meridianos.
Meridianos são círculos Imaginários que cortam perpendicularmente os paralelos e vão de um pólo a outro.
O meridiano inicial, ponto de partida para a nu¬meração dos demais meridianos, é a linha que passa pela localidade de Greenwich, um subúrbio londrino. Por isso é chamado meridiano de Greenwich.
Nenhum meridiano circunda totalmente a es¬fera terrestre, Na outra face, está o meridiano opos¬to ou antimeridiano.
O antimeridiano do meridiano de Greenwich é a Linha Internacional de Data.
O meridiano de Greenwich e seu antimeri¬diano dividem a Terra em hemisfério oriental (leste) e hemisfério ocidental (oeste).
Os meridianos indicam a longitude de um lu¬gar. Todos os lugares situados à direita do meridiano de Greenwich têm longitude leste (LL) e os situados a oeste têm longitude oeste (L0).
Longitude é a distância, medida em graus, de qualquer lugar da Terra ao meridiano de Greenwich.
O meridiano de Greenwich tem 0° de longi¬tude e é o ponto de partida para calcular a longitude de um lugar. A longitude máxima é a da Linha Inter¬nacional de Data, que corresponde a 180°.
Todos os lugares atravessados por um mesmo meridiano têm a mesma longitude e estão a igual dis¬tância do meridiano de 0°.
Dessa maneira, sabendo as coordenadas geo¬gráficas, isto é, a latitude e a longitude de um lugar, podemos determinar a sua exata localização na su¬perfície da Terra.

Latitude e longitude: outras aplicações

A latitude e a longitude não são importantes apenas para determinar a localização de um ponto sobre a Terra.
A latitude ajuda a explicar as diferenças de temperatura em nosso planeta, embora outros fatores, como a altitude e a proximidade do mar, tam¬bém interfiram para que ocorram essas diferenças. De modo geral, as temperaturas aumentam dos pó¬los para o Equador.
Os paralelos delimitam as zonas da Terra:
- Tropical ou inter-tropical, localizada entre os trópicos de Câncer (23°27’de latitude norte) e de Capricórnio (23°27’ de latitude sul). Pelo fato de os raios solares incidirem quase perpendicular¬mente durante todo o ano, é a zona mais quente e mais iluminada da Terra.
- Temperadas, localizadas entre o trópico de Câncer e o círculo polar Ártico (zona temperada do Norte) e entre o trópico de Capricórnio e o cír¬culo polar Antártico (zona temperada do Sul). São zonas menos quentes e menos iluminadas que a zona tropical porque recebem raios solares mais inclinados (oblíquos).
- Polares ou glaciais, localizadas ao norte do círcu¬lo polar Ártico – 66 a 33’ de latitude norte (zona po¬lar ou glacial Ártica) — e ao sul do círculo polar Antártico - 66°33’ de latitude sul (zona polar ou glacial Antártica), Os raios solares atingem essas zonas de modo muito inclinado e somente du¬rante parte do ano, o que torna as zonas polares as mais frias e mais escuras da Terra.
A longitude é essencial para saber as diferen¬ças de horário de um lugar para outro na Terra. Es¬sas diferenças dependem da localização do lugar em relação ao meridiano de Greenwich

A sigla GPS significa Global Positioning System ou Sistema Global de Posicionamento. O GPS é um sofisticado sistema de navegação ou posicionamento global, que informa com exatidão a latitude, a longi¬tude e a altitude de um lugar.
O sistema funciona com qualquer condição de tempo. É formado por 24 satélites artificiais (sistema Navstar], colocados em órbitas de cerca de 20 000 km de altitude sobre a superfície terrestre. Essa posição permite observar pelo menos 4 satélites, 24 horas por dia, em qualquer ponto da Terra. Cada um dos satélites transmite seu número de identificação e a hora certa.
Desenvolvido a princípio por razoes militares pe¬lo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, esse sistema foi usado durante muito tempo como instru¬mento de navegação marítima. Hoje, é utilizado em várias situações.
Profissionais especializados, como engenheiros florestais, geólogos, geógrafos, biólogos, Cartógrafos e agrônomos, usam o sistema nos mapas que orientam o seu trabalho.
“OGPS está ajudando transportadoras a monitorar suas frotas de caminhões, empresas de resgate médi¬co a controlar suas ambulâncias, pilotos de rali a encontrar suas trilhas, aviões a acertar o turno e cientistas a fazer descobertas. Nos Estados Unidos, deficientes vi¬suais estão substituindo os cachorros guias por eles.”
A agricultura também é beneficiada pelo uso desse sistema: tipos de solo, pragas e doenças de plantas, pre¬juízos causados pela seca ou por enchentes podem ser detectados com grande precisão. “Os técnicos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] usam o GPS para descobrir o verdadeiro tamanho das fazendas e definir áreas para desapropriação.” O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) faz uso desse sistema para lo¬calizar focos de incêndios criminosos ou acidentais.
Alguns fabricantes de automóveis de luxo estão colocando em seus veículos um equipamento de nave¬gação por GPS, que exibe no monitor um sistema com mapa digital das ruas. Basta dizer o endereço do local onde se quer ir que o trajeto é mostrado na teta. O GPS também tem se mostrado eficiente no combate a atividades criminosas, ajudando a localizar veículos de luxo em caso de roubo ou furto.
“Seu maior impacto, contudo, é sentido em re¬giões de dimensões gigantes e raros pontos de refe¬rência, como a selva amazônica, o mar, o céu, o deser¬to, ou o Ártico e a Antártida.”
O GPS está pondo a Terra no mapa;
Antes do uso exclusivo de militares, a tecnologia foi popularizada durante a Guerra do Golfo.
Para demarcar ou para se dirigir a um lo¬cal inabitado, você precisa de uma referência mais global e natural. E é ai que entram em cena as coordenadas geográficas, propostas e adotadas universalmente há séculos.

Movimento de Rotação e os Fusos Horários

A hora local de uma cidade é dada pelo seu fuso horário, uma consequência do movimento de rotação da Terra. Além dos fusos horários, que dão a medida do tempo nas diferentes partes do mundo, são consequências do movimento de rotação da Terra:
- o movimento aparente do Sol, que surge no Oriente e se oculta no Ocidente;
- a sucessão dos dias e das noites, que regula a organização e o planejamento das atividades humanas;
- a formação das correntes marítimas, que podem ser alteradas pelo desvio dos ventos, influindo na navegação marítima e na localização de áreas pesqueiras.
As comunicações entre os continentes têm sido beneficiadas pela utilização de satélites artificiais que funcionam seguindo o movimento de rotação da Terra.

O movimento de rotação, é o movimento que a Terra realiza em torno de si mesma ou de seu eixo imaginário. Nesse movimento, o planeta gira de oeste para leste, a uma velocidade média de 463 metros por segundo, na altura do Equador, que vai diminuindo em direção aos pólos.
A Terra leva 24 horas para realizar o seu movimento de rotação. O tempo que a Terra demora para dar uma volta completa em torno de si mesma é chamado dia.
O dia solar, portanto, dura 24 horas e se baseia no despontar e no pôr-do-sol.
O dia civil também tem 24 horas, mas não é marcado pelo aparecimento e desaparecimento do Sol. Por convenção, desde 1925, ficou estabelecido que o dia civil começa depois da meia-noite. E o dia civil que regula a nossa vida diária.
A rotação terrestre também determina os pon¬tos cardeais, permitindo a orientação no espaço geo¬gráfico. O norte e o sul são determinados pêlos ex¬tremos do eixo terrestre. O próprio movimento de rotação fixa os outros dois pontos: o lado onde o Sol desponta é o leste; o lado onde o Sol se põe é o oeste.

Os fusos horários

As diferenças de horas entre os vários lugares da Terra criaram a necessidade de estabelecer uma forma comum de marcar a hora local. Foi definido um sistema de 24 fusos horários que teria como pon¬to de partida o meridiano de Greenwich.

O sistema de fusos horários pode ser explicado da seguinte maneira:
Ao girar, a Terra expõe ao Sol a esfera terrestre, que tem 360° de circunferência. Considerando que o nosso planeta leva 24 horas para realizar seu movimen¬to de rotação, veremos que, a cada hora, o Sol ilumina uma faixa de 15° na superfície terrestre (360":24 = 15°). Essas faixas são chamadas de fusos horários.
Exatamente no meio de cada uma dessas faixas (7°30'} passa um meridiano que determina a hora lo¬cal do fuso, chamada de hora legal. Geralmente, a hora legal de cada lugar do mundo é determinada pela hora legal de seu fuso. Entretanto, são feitas modificações no traçado dos fusos para que as horas coincidam dentro do limite de países, estados, etc.
A contagem dos fusos inicia-se no meridiano de Greenwich que, por isso, é chamado de meridiano inicial. A hora marcada nesse meridiano é conheci¬da como GMT (Greenwich Meridian Time - hora média de Greenwich)
O primeiro fuso - o fuso de Londres - está compreendido entre 7°30' O e 7°30' L do meridiano inicial, totalizando os 15° que formam um fuso ho¬rário. A sequência dos demais fusos é contada a par¬tir do fuso de Londres, levando em consideração que a Terra, em seu movimento de rotação, gira de oeste para leste, Como o Sol surge antes nos lugares situa¬dos a leste, sempre que caminhamos nessa direção as horas aumentam. Ao contrário, sempre que va¬mos para o oeste as horas diminuem. Desse modo, todos os fusos a leste do meridiano de Greenwich têm seus horários adiantados e todos os fusos a oeste têm seus horários atrasados em relação ao meridia¬no inicial.

OS FUSOS HORÁRIOS PASSO A PASSO:

A partir do meridiano de Greenwich, são estabele¬cidos 24 fusos horários, com 15 graus cada um.
São 12 fusos para leste e 12 fusos para oeste.
Os fusos são o resultado da divisão da circunfe¬rência terrestre (360°) pelas 24 horas do dia [360°: 24 = 15°].
Dentro de um fuso horário, todos os lugares têm a mesma hora. É a hora legal do fuso.
O meridiano de um fuso horário passa pela metade desse fuso.
Para evitar problemas para o comércio, bancos, meios de transporte, muitos países alteram os limi¬tes de seus fusos horários. O dia de 24 horas começa num lugar quando o horário desse lugar marcar meia-noite. Para economizar energia, alguns países adiantam a hora legal no verão. é o horário de verão, que al¬tera ainda mais as diferenças entre os fusos. Cada fuso compreende 15 meridianos (15°) e cor¬responde a uma.


O lugar onde o calendário muda

Existe uma Unha que corta o globo de pólo a pólo, onde a data dá um salto de um dia.
Imagine que você resolva fazer uma viagem diferente no fim do ano: uma travessia pelo oceano Pacífico, a bordo de um transatlântico. Uma noite, no final do jantar, quando o navio está em mar aberto, o capitão anuncia: "Atenção, senhoras e senhores! É exatamente meia-noite de 30 de dezembro. Mas temos de levantar um brinde pelo réveillon: já, porque a partir de agora entramos no dia 13 de janeiro".
Como é possível passar por cima do dia 311 Os pas¬sageiros ficam intrigados. O que existe de diferente nesse pedaço do mundo? É como se, ali, num ponto qualquer, perdido em pleno mar, o tempo sofresse uma descontinuidade, e o dia pulasse, de repente, de 30 de dezembro parai9 de janeiro. O mais estranho de tudo é que a hora continua a mesma: meia-noite. Você saberia resolver esse enigma?
É que, exatamente à meia-noite de 30 de dezembro, o navio cruzava a unha Internacional de Data. Essa linha cor¬ta o globo terrestre do pólo norte ao pólo sul, seguindo mais ou menos o meridiano de 180°, do lado oposto ao meridiano de Greenwich, na Inglaterra. A partir de Greenwich são acertados os relógios de todo o mundo, pêlos fusos horá¬rios. A leste dele, adianta-se uma hora, a cada 15 graus.
Só que, quando se chega a Unha Internacional de Da¬ta, muda-se não o relógio, mas a folhinha: a leste dela, volta¬mos 24 horas no tempo. Ou seja, quem atravessa essa linha de oeste para leste volta de hoje para ontem. Porquê? Para acertar as contas do calendário.
Veja a seguir o problema que teríamos, por exemplo, se apenas contássemos as horas, a cada fuso horário.
Suponha que é meia-noite do dia 30 de dezembro e você está em São Paulo (desconsidere o horário de verão). Se ligar para uma outra cidade, mais a este, digamos a Ci¬dade do Cabo, na África do Sul, vai ver que lá serão 4 horas da manhã do dia 31 de dezembro, porque a cidade fica a cinco fusos horários a leste. Quanto mais a leste você ligar, mais tarde será. No Japão já será meio dia, e, no Havaí, 6 ho¬ras da tarde. Seguindo o mesmo raciocínio, no Peru se¬riam 23 horas, também do último dia do ano. Se continuas¬se nesse andamento, ao completar a volta ao mundo, você chegaria à conclusão de que seu vizinho de oeste já este na meia-noite do dia 31. Mas você continuaria no dia 30.
Para assinalar uma única data, é preciso fazer um acer¬to em algum ponto. Então, por convenção, diminui-se um dia quando se passa sobre a Linha Internacional de Data, de oeste para leste, Para evitar problemas no dia-a-dia das pessoas, a Linha Internacional de Data não segue exatamente o meridia¬no de 180°. Ela faz algumas curvas, desviando-se de ilhas e regiões em terra firme onde possam existir comunidades.
Veja um exemplo da confusão que reinaria numa ci¬dade que fosse cortada pela Linha Internacional de Data. No caso de inflação alta, o cliente de um banco poderia ganhar um bom dinheiro apenas atravessando a rua. Bastaria fazer um depósito na agência bancária do lado leste da cidade e retirar o dinheiro imediatamente em outra agência, do lado oeste. Ele lucraria os juros de um dia em poucos minutos. E tem mais: os compromissos teriam de ser marcados levan¬do em conta de que lado da cidade cada pessoa mora. Ou seja, todos teriam de manipular duas agendas.
Fonte: Superinteressante – novembro de 1995

Movimento de Translação e as Estações do Ano

Em países localizados em hemisférios opostos. Assim, en¬quanto os brasileiros, no mês de dezembro, curtem o calor no he¬misfério sul, os norte americanos se protegem do frio e da neve no hemisfério norte.
Nessa época, o hemisfério sul fica mais exposto à luz e ao calor do Sol, enquanto o hemis¬fério norte é atingido com menor intensidade pêlos raios solares. Por isso, no hemisfério sul é ve¬rão e no hemisfério norte, inver¬no. No mês de junho ocorre exatamente o contrário.
Portanto, quando você vai para casa mais cedo para "curtir" as longas noites frias de inverno ou quando aproveita a luminosi¬dade dos dias quentes de verão, você está sentindo as conse¬quências do movimento de trans¬lação da Terra, cuja duração e características exercem influên¬cia direta sobre a nossa vida em países localizados em hemisférios opostos. Assim, en¬quanto os brasileiros, no mês de dezembro, curtem o calor no he¬misfério sul, os norte americanos se protegem do frio e da neve no hemisfério norte.
Nessa época, o hemisfério sul fica mais exposto à luz e ao calor do Sol, enquanto o hemis¬fério norte é atingido com menor intensidade pêlos raios solares. Por isso, no hemisfério sul é ve¬rão e no hemisfério norte, inver¬no. No mês de junho ocorre exatamente o contrário.
Portanto, quando você vai para casa mais cedo para "curtir" as longas noites frias de inverno ou quando aproveita a luminosi¬dade dos dias quentes de verão, você está sentindo as conse¬quências do movimento de trans¬lação da Terra, cuja duração e características exercem influên¬cia direta sobre a nossa vida.

Movimento de translação é o movimento que a Terra realiza ao redor do Sol junto com os outros planetas.
Em seu movimento de translação, a Terra per¬corre um caminho que tem a forma de uma elipse, o qual chamamos de órbita.
A Terra, em sua órbita, não mantém a mesma velocidade, que é maior quanto mais o planeta se aproxima do Sol e menor quanto mais se afasta dele. O Sol não está no centro da elipse; por isso, a Terra não está sempre à mesma distância do Sol.
O tempo que a Terra demora para dar uma vol¬ta completa ao redor do Sol é chamado ano. O ano ci¬vil, adotado por convenção, tem 365 dias. Como o ano sideral ou tempo real do movimento de translação é de 365 dias e seis horas, a cada quatro anos temos um ano de 365 dias, que é chamado de bissexto.
No seu caminho ao redor do Sol, a Terra segue realizando tam¬bém o seu movimento de rotação. O eixo ima¬ginário, em torno do qual a Terra faz a sua ro¬tação, tem uma incli¬nação de 23°27' em re¬lação ao plano da órbita
terrestre. Por esse motivo, a iluminação do Sol não é igual em todos os lugares da Terra, durante o ano todo.

As estações do ano
Além de regular o calendário das nossas atividades, o movimento de translação tem como conse¬quência um fato fundamenta] para a vida humana na Terra: a alternância das estações do ano.
As estações do ano condicionam as atividades agropecuárias e a existência de variados tipos de ve¬getação e espécies animais em diferentes lugares da Terra.
Elas são determinadas pela posição da Terra em relação ao Sol. Devido à inclinação do eixo ter¬restre, as estações não são iguais nos dois hemis¬férios, alternando-se em relação à linha do Equador.

As datas que marcam o início das estações do ano determinam também a maneira e a intensidade com que os raios solares atingem a Terra em seu movimento de translação. Esses dias recebem a de¬nominação de equinócio e solstício.

Equinócio
No dia 21 de março os raios de só! caem per¬pendicularmente sobre a linha do Equador, tendo o dia e a noite a mesma duração na maior parte dos lu¬gares da Terra (exatamente 12 horas). Daí o nome equinócio (noites iguais aos dias). Nesse dia, no he¬misfério norte, é o equinócio âe primavera e no he¬misfério sul, o equinócio de outono.
No dia 23 de setembro, ocorre o contrário: é o equinócio de primavera, no hemisfério sul, e o equi¬nócio de outono, no hemisfério norte.

Solstício
No dia 21 de junho os raios solares chegam ver¬ticalmente ao paralelo de 23"27' N (trópico de Cân¬cer). Nesse momento ocorre o solstício da verão no hemisfério norte. E o dia mais longo e a noite mais curta do ano, que marcam o início do verão, No hemisfério sul, acontece o solstício de inver¬no, com a noite mais longa do ano, marcando o iní¬cio da estação fria.
No dia 21 de dezembro, os raios de sol caem verticalmente sobre o trópico de Capricórnio (23°27' LS). E o solstício de verão no hemisfério sul, com o dia mais longo do ano e o início do verão. No hemisfério norte, acontece a noite mais longa do ano. E o início do inverno.

O RELÓGIO DE SOL
O relógio de sol era um valioso instrumento para os as¬trônomos da Antiguidade, encarregados da elaboração de um calendário.
sua própria sombra [sombra movente), causada pelo movimento aparente do Sol. Mais tarde descobriu que podia fazer a esti¬mativa das horas, pela sombra de uma vareta fincada numa su¬perfície plana, na posição vertical. Assim criou o gnômon, uma forma primitiva de relógio de sol.
Observando o movimento da sombra projetada pelo gnô¬mon durante o dia, ele podia ter a noção do tempo: quando a sombra estava bem longa era hora do amanhecer ao meio-dia, ela se apresentava no seu tamanho mínimo, voltando a alongar-se ao entardecer. Assim, o homem criou o reló¬gio de sol e começou a fazer a contagem do tempo.
Medindo ao longo do ano o comprimento da sombra, podiam saber que, quando o Sol estava no meridiano que passa pelo local, ocorriam os solstícios. Entre o Equador e o trópico de Capricórnio, a sombra apontava para o norte ou para o sul. A sombra mais longa para o norte ocorria no solstício de verão; e a sombra mais longa para o sul, no solstício de inverno.
O sábio grego Anaximandra (610-547 a.C.) usou o relógio de sol para determinar o equinócio. Nessa data, o Sol corta o Equador celeste, que nada mais é do
que a projeção do Equador terrestre. Assim, pelo com¬primento da sombra média no equinócio, pode-se avaliar a latitude de um lugar.
O gnâmon e a divisão do dia em doze partes foram descobertas dos babilônios, mas o primeiro relógio de sol foi construído pêlos egípcios no século XIII antes de Cristo.
Como instrumento de medição do tempo, o reló¬gio de sol teve muito prestígio entre os romanos, atingiu o apogeu entre os árabes, por volta do ano 1000, e foi usado na Europa até o século XVIII.

Construindo Mapas

Uma das primeiras coisas em que pensamos na hora de viajar é num bom mapa da região a ser visitada ou das estradas que vamos percorrer. Em nosso dia-a-dia na cidade também usamos mapas e guias para encontrar ruas e bairros.
Os mapas nos auxiliam a localizar qualquer porção da superfície da Terra, facilitando a nossa orientação no espaço geográfico.
O conhecimento das coordenadas geográficas e dos pontos cardeais é indispensável para a elaboração dos mapas, que são representações planas da superfície terrestre.
Este é o maior problema da cartografia: representar uma superfície esférica em um plano. Como a esfera não é planificável, a representação nunca será perfeita. Teremos sempre algu¬mas deformações, seja em relação às distâncias entre os continentes, seja em relação às áreas de países e oceanos.
Na verdade, a melhor maneira de representar a Terra é o globo terrestre, por causa de sua forma esférica. Porém os mapas são muito mais fáceis de manusear e têm a vantagem de repre¬sentar áreas pequenas com detalhes.
As projeções permitem representar uma superfície esférica (a Terra) em uma superfície plana (o mapa) com menores distorções do que aquelas provocadas com o simples achata¬mento da esfera.

Projeções cartográficas

A rede de paralelos e meridianos sobre a qual desenhamos um mapa constitui o que chamamos de projeção cartográfica. Sua aplicação envolve concei¬tos matemáticos e geométricos.
Mesmo possibilitando uma representação mais precisa c mais organizada da superfície terres¬tre, o uso das projeções pode causar distorções. Cabe ao cartógrafo decidir qual é o tipo de projeção roais apropriado para o mapa que vai construir.
Os principais tipos de projeção mantêm os as¬pectos mais importantes para a elaboração de um mapa, que são a distância, a forma e os ângulos. Ne¬nhuma projeção consegue manter esses três ele¬mentos ao mesmo tempo. Dessa forma, podemos considerar projeções:
- Equidistantes. Mantêm as distâncias lineares (distâncias a partir de um centro determinado), mas apresentam distorções nas áreas e nas formas terrestres.
- Conformes. Procuram manter os mesmos ângulos das coordenadas geográficas. Conservam, assim, as formas terrestres, mas apresentam distorções nas áreas representadas. A escala usada para repre¬sentar as distâncias varia, Usa-se a escala real ape¬nas nas áreas próximas do Equador. À medida que se afasta da região equatorial, a distorção é maior.
- Equivalentes. Apresentam formas distorcidas, mas as áreas mantêm o mesmo valor da área real. Os ângulos do planisfério ficam deformados em relação aos ângulos da esfera terrestre.
Os três tipos de projeção (equidistante, con¬forme e equivalente) são elaborados a partir de três métodos originais: projeções cilíndricas, projeções cônicas e projeções azimutais (planas).

Projeções cilíndricas

Nesse tipo de projeção, muito usado para re¬presentar planisférios, os paralelos e meridianos são projetados sobre um cilindro, que é plani¬ficado posteriormen¬te. Os paralelos retos e horizontais, e os me¬ridianos, retos e verti¬cais, formam ângulos retos.
Seu principal inconveniente é apre¬sentar deformações nas áreas de altas lati¬tudes. Porém, conser¬va as proporções das superfícies próximas ao Equador. Com ela, pode-se representar toda a Terra.

Projeções cônicas

Nos mapas com projeção cônica, o globo ter¬restre (ou parte dele) é projetado em um cone tan¬gente, que depois é planificado. As projeções côni¬cas são usadas principalmente para representar regiões de latitudes médias. Apresentam maiores deformações na base e no vértice do cone, por isso representam regiões menores.
Nesse tipo de projeção, os meridianos são ra¬diais porque surgem de um mesmo ponto, e os para¬lelos são círculos concêntricos, isto é, têm o mesmo centro.

Projeções azimutais

Também chamadas de projeções planas, as projeções azimutais são elaboradas a partir de um plano tangente sobre a esfera terrestre.

Meridianos e paralelos são projetados sobre um plano apoiado em um ponto que geralmente es¬tá no Equador ou nos pólos, mas encontramos pro-jeções azimutais centradas em outros pontos da Terra. Por isso, podemos considerar três modali¬dades de projeções azimutais: oblíqua, polar e equatorial,
O ponto de tangência torna-se o centro do ma¬pa construído dessa maneira. Geralmente esse cen¬tro apresenta pequenas deformações que se acen¬tuam à medida que dele nos afastamos.
Na projeção azimutal polar (centrada no pólo), a área representada mostra só um hemisfério. Os meridianos são convergentes no centro e os parale¬los são concêntricos.
A projeção azimutal polar está no emblema ofi¬cial da Organização das Nações Unidas (ONU). Pode-se usar esse tipo de projeção quando se quer colocar um país na posição central ou para calcular a distância entre esse país e qualquer lugar na super¬fície da Terra. Por esse motivo, a navegação marítima e a aviação também usam a projeção azimutal.

Projeções mais usadas em cartografia

Projeção de Mercator

Quase sempre o mapa-múndi, ou planisfério, que encontramos em atlas e livros.
No século XVI, o geógrafo flamengo Gerhard Kremer, conhecido como Mercator, idealizou e construiu esse tipo de projeção cilíndrica, muito usado na navegação porque permite traçar rotas em linha reta.
A projeção de Mercator é conforme, pois não deforma os ângulos. Porém as áreas do hemisfério norte, principalmente a Europa, ficam muito amas. Isso reflete a hegemonia econômica e política.exercida pêlos europeus na época. Na verdade, ca¬da tipo de projeção revela as idéias de quem o criou, expressando, assim, a sua visão de mundo.

Projeção de Peters

A projeção criada em 1973 pelo historiador alemão Arno Peters procura representar mais fiel¬mente as áreas dos oceanos e continentes. A proje¬ção de Peters é cilíndrica e equivalente. Essa repre¬sentação significou muito para a auto-estima dos países subdesenvolvidos, que ganharam mais desta¬que. Porém, para conseguir a equivalência, foi pre¬ciso sacrificar as formas. África e América do Sul estão estranhamente alongadas nos mapas feitos nessa projeção.

CARTOGRAFIA, A ARTE OU CIÊNCIA DE FAZER MAPAS

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a "arte (ou ciência} de levantamen¬to, construção e edição de mapas e cartas de qualquer natureza" recebe a denominação de cartografia.
A elaboração de mapas começou na Antigui¬dade. O mapa mais antigo do mundo foi encontrado na Mesopotâmia, onde é hoje o Iraque, de Saddam Hussein.
Anaximandro (610 a.C-547 a.C.}, discípulo de Tales de Mileto, é considerado o primeiro cartógrafo. Em seu mapa, a Terra estava solta no espaço e não havia referência à sua forma.
A partir do século XVI, época das Grandes Na¬vegações, mapas traçados com maior precisão pas¬saram a desvendar caminhos para os exploradores europeus, pois representavam o mundo de uma ma¬neira mais próxima do real.
O avanço tecnológico permitiu um grande progresso e muita precisão na elaboração de mapas. As técnicas usadas antigamente foram acrescen¬tadas várias outras, como o uso de aviões para to¬madas fotográficas aéreas, imagens de satélites artificiais e computadores. A partir do processamento e da análise dessas imagens, é possível elaborar vários tipos de mapas. Hoje, podemos obter imagens tridi¬mensionais da superfície da Terra. Daí os mapas estarem cada vez mais precisos.
Entre os inúmeros recursos utilizados pela cartografia, destacaremos; a aerofotogrametria, o sensoríamento remoto e o geoprocessamento (GIS -Geographical Information System ou, traduzindo para o português, SIG - Sistema de Informação Geográfica).
Apesar de todas essas facilidades, não pode¬mos nos esquecer de que, para ter sucesso, é preciso complementar o trabalho com dados obtidos em uma eficiente pesquisa de campo no local cartografado.

Aerofotogrametría

E a elaboração de cartas com base em/oíogra-fias aéreas, com'a utilização de aparelhos e métodos estereoscópicos, que permitem a representação de objetos em um plano e sua visão em três dimensões.
Alguns detalhes são essenciais para a interpre¬tação de uma fotografia aérea: o tamanho e a forma da área estudada, a tonalidade e as sombras exis¬tentes na foto, entre outros.
A escala de uma fotografia aérea vai depender de sua finalidade. Normalmente, em trabalhos sobre áreas urbanas, usa-se a escala 1:8 000; para áreas ru¬rais, 1:30 000. É possível ampliar a fotografia aérea em até cinco vezes a escala original.
As fotos aéreas também são usadas para deter¬minar curvas de nível nos levantamentos cartográficos por pares de fotografias. (Ver capítulo 10.)
Nos mosaicos cartográficos, que são montagens de fotografias aéreas, pode-se ter a visão geral da área que está sendo estudada.
Existem também as ortofotocartas, que são imagens fotográficas aéreas, com escala precisa, em que podem estar representadas curvas de nível, ruas, limites, etc.

Sensoriamento remoto

Nem sempre os objetos podem ser medidos e observados no local onde estão. No caso da superfí¬cie terrestre, o afastamento é um fator que possibili¬ta uma visão mais ampla e mais completa.
As técnicas de sensoriamento remoto caracte¬rizam-se pela separação física entre o sensor (câmara fotográfica ou satélite artificial) e o objeto de estudo, que está na superfície terrestre. Através de imagens obtidas por satélites artificiais, obtém-se uma me¬lhor representação da superfície terrestre. Podemos chamar de sensoriamento remoto o conjunto de técnicas que permitem obter infor¬mações sobre a superfície terrestre através de sen¬sores instalados em satélites artificiais. As informações captadas pelo sensoriamento remoto podem ser processadas digitalmente por modernos equipamentos e resultam em imagens bastante precisas, embora com escala limitada pela capacidade do sensor utilizado.
Os primeiros satélites começaram a ser usados, com esse fim, na década de 1970, como o Landsat l, lançado em 1972 pela NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration).
Essas imagens podem ser usadas para levanta¬mento do meio ambiente, agricultura, estudos flores¬tais, cartografia, geologia, geomorfologia, recursos hí¬dricos, planejamento municipal e regional, etc,
Geoprocessamento
É o conjunto de tecnologias que permite a co-leta e a análise de informações sobre determinado tema. Essas tarefas são executadas pelo sistema GIS (Geographical Information System).
Além de ser um sistema de processamento de dados, o GIS permite a superposição e o cruzamen¬to de informações. Sua principal característica é in¬tegrar, em uma única base, informações diversas (imagens, dados cartográficos, dados de censo, etc.), de forma que seja possível consultar, comparar e analisar essas informações, além de produzir mapas.
O GIS pode ser aplicado a qualquer tema que envolva informações de um determinado lugar, cujos elementos possam ser representados no espaço. Não basta apenas ler as informações. É preciso analisar e cruzar os dados para obter a melhor res¬posta para o que está sendo estudado. Podemos tomar como exemplo a necessidade de encontrar uma forma de diminuir uma frota de entrega de pro¬dutos. Para isso é preciso considerar e analisar várias informações: distâncias a percorrer, zonas de con¬gestionamento, quantidade de mercadoria entregue em cada ponto, entre outras.
O sistema GIS pode fornecer a solução. A re¬presentação cartográfica apresentada será resultado da utilização do sensoriamento aliado ao sistema GIS. O uso integrado desses dois sistemas pode levar a uma melhor interpretação do tema estudado.